Arquivo do mês: setembro 2010

Declaração de voto

Pois bem, chegou a hora de revelar meu voto. Serei curto e direto.

Pra presidente da república, meu voto é em Dilma Roussef.

 A escolha é pela continuidade de um projeto que conseguiu: 1) acelerar o crescimento, com distribuição de renda; 2) ampliar o gasto social e melhorar as condições de vida das pessoas (acesso a bens e serviços); 3) retomar o investimento público e a política industrial; 4) reposicionou o Brasil no cenário internacional.

 Segundo dados da FGV, 31 milhões de brasileiros entraram para a classe média, 24 milhões saíram da pobreza absoluta e, segundo as estatísticas, 13 milhões conquistaram um emprego com carteira assinada. Isso não é pouco! Especialmente quando comparado com o passado recente brasileiro, o que inclui os números registrados no governo anterior, do qual o candidato José Serra fez parte.

Claro que não está tudo perfeito, mas houve notórios avanços que necessitam de continuidade. Os ritmos de crescimento e de queda na desigualdade são expressivos, o desafio é mantê-los por mais tempo (uma década, pelo menos). Dentre as alternativas colocas, acredito que a melhor pessoa para dar continuidade a este processo é mesmo Dilma Roussef.

 Está certo que sempre sou otimista. Mas desta vez, vejo que tenho reais motivos para sê-lo. Por isso, voto em Dilma -13!

 Obs.: só mais uma curiosidade, sempre preferi votar em mulheres. Fico feliz em votar pela 1ª vez em uma mulher para a presidenta do Brasil!

A mídia e as eleições

 

Este debate, na minha opinião, vai além do simples direito civil de liberdade de imprensa. É claro que a imprensa tem que ser livre, mas também deve ser: a) comprometida com a verdade dos fatos; b) democrática, abrindo espaço para a cobertura das diferentes versões ou opiniões sobre os acontecimentos; c) deve servir para criar consciência crítica, politizar, prestar  informações de utilidade pública e não apenas garantir retorno para seus anunciantes.

Certamente, não acredito que a maioria dos meios de comunicação no Brasil estão cumprindo seu papel, como se espera em uma cobertura de eleições gerais no país.  Gostaria de ver maior cobertura  por meio de programas de debates, com convidados que representem os diferentes lados desta disputa.

Prefiro ouvir a opinião de dois comentaristas ou convidados (claramente posicionados, um pró Dilma, outro pró-Serra, por exemplo), do que ter acesso apenas às opiniões da Cristina Lobo, Miriam Leitão e cia. ltda.  que se colocam como isentas e, na verdade, não são. Ninguém é isento nesta discussão! Ou a Miriam , a Cristina e o Daniel Vazquez não irão em 3/10 às urnas e farão suas escolhas? Bem como os donos da Veja, Estado, Folha entre outros.

Prefiro me informar lendo, vendo ou ouvindo um debate entre dois lados declarados. Nos EUA é comum que os jornais e revistas se posicionem em seus editoriais sobre as eleições, declarando apoio ao candidato A ou B. Aqui, apenas a Carta Capital declarou (pró-Dilma). A Veja, por sua vez, é mais que declarada (pró-Serra), mas quer se passar por isenta ou dona da verdade. Isto é falso!

A coisa é mais grave quando se trata de televisão e rádio, que são concessões públicas, chegam à nossa casa sem pedir licença. Nestes casos, a liberdade de imprensa é diferente da liberdade para os “donos” da imprensa. Como concessionárias públicas, não possuem donos.   Qual é a participação popular e o papel do controle social sobre estas concessões? Este é um debate complicado, impossível de ser feito neste post. 

Entre os “intelectuais”, professores e cientistas políticos, também não tem ninguém isento. Bobagem! Eu tenho lado e declarei meu voto no próximo post… claro que quem me conhece, já sabe! Para os demais, manterei o suspense até amanhã… 1 semana antes do dia D…..rs.

Forte abraço!

obs.: Sobre a “guerra” entre mída comercial e governo, reproduzo abaixo um trecho do artigo escrito por Leonardo Boff, disponível na íntegra em http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=51181

Conjuntura IPEA

“O efeito da correção do salário mínimo e da política ativa de gastos sociais no ano de 2010, ao manter o dinamismo da demanda agregada, tem contribuído para provocar um impacto multiplicador significativo sobre a economia e, por consequência, conduzir ao aumento do PIB, da arrecadação e do controle e redução na relação dívida/PIB”. Esta é a conclusão do boletim de conjuntura do Ipea, disponível em: http://www.ipea.gov.br/

P.S.: Post rápido. Um recorde…rs. Forte abraço!

Pesquisa qualitativa no debate

Como todos sabem, sou professor e pesquisador nas áreas de políticas públicas e economia. Chamou-me a atenção, ao final do debate deste domingo na RedeTV, os comentários sobre uma pesquisa feita durante o debate com um grupo de 25 eleitores, a maioria deles se dizia sem voto definido. Este tipo de pesquisa qualitativa avalia cada fala dos candidatos, atribuindo “notas”, a fim de verificar os melhores e piores momentos de cada um. A pesquisa qualitativa é bastante utilizada para saber a reação das pessoas quando são colocadas em contato com produtos, novas marcas e, no caso, com os candidatos à presidência.

 Embora, o relatório completo da pesquisa não esteja disponível. Foram interessantes as conclusões divulgadas ao vivo ao final do debate e depois na Folha online http://www1.folha.uol.com.br/poder/797760-grupo-de-indecisos-ve-vitoria-de-marina-em-debate-mas-dilma-ganha-mais-votos.shtml

 Dilma (PT), foi melhor avaliada por 9 eleitores e foi quem conquistou mais votos: ela começou o debate com 4 eleitores e terminou com 10. Marina (PV) começou com 3 e ao final tinha 7 eleitores e foi a melhor avaliada por 10 deles. Plínio (Psol), que começou sem nenhum eleitor, foi melhor avaliado por 4 eleitores e acabou o debate com esta intenção de votos. José Serra (PSDB) foi o melhor para só duas pessoas, perdeu um de seus eleitores: tinha 4 no início do debate e acabou com 3.

 A tática de atacar sem o devido respaldo é muito perigosa. É questão de credibilidade, se Serra e a imprensa tivesse credibilidade em período eleitoral as acusações colariam! Serra está sem credibilidade, pois fez oposição durante todo o governo Lula e depois aparece querendo usar a popularidade do presidente; com as quedas nas pesquisas, deu início a uma série de acusações e foi ladeira abaixo nas intenções de votos. Agora, busca um fato novo com o “escandalo” na Casa civil. Mesmo com parte da imprensa bancando, o eleitor não está levando isso em consideração.

 Destaco que o brasileiro está amadurecendo em relação ao voto. Em minha opinião, ainda não é um voto plenamente consciente, capaz de distinguir os significados políticos de cada candidatura. Porém, a opção do eleitor tem sido mais prática, baseada na percepção de melhora ou não na sua vida e se ele enxerga que o governo contribuiu pra isso. Exemplos: “consegui comprar minha casa” (com subsídio do minha Casa Minha vida, ou com crédito mais disponível e com juros menores da Caixa); “consegui ter um emprego, após a crise, minha empresa me recontratou” (atuação do governo frente à crise); tenho acesso à universidade (Prouni ou expansão das universidade federais); o Brasil é bem visto lá fora (copa, olimpíadas e política externa); aumento do Salário Mínimo; percepção de melhoria no acesso às políticas públicas, etc.

 Considero que a capacidade de fazer esta avaliação é um importante avanço, mas é preciso ter maior interesse pela política no cotidiano. A sociedade precisa ser mais politizada!

 Forte abraço!

Comentários PNAD 2009

Rapidamente, destaco algumas conclusões da PNAD 2009:

 1) Aspectos Demográficos: a estrutura etária da população residente continuou apresentando tendência de envelhecimento, com aumento na participação da população nas idades mais altas e redução nas idades mais jovens. A proporção de domicílios com um único morador também continuou a aumentar.

 2)  Escolaridade: houve leve redução da taxa de analfabetismo conjugada com o aumento da taxa de escolarização, cada vez mais concentrado na faixas etárias mais avançadas. A taxa de escolarização das crianças de 6 a 14 anos de idade atingiu patamares acima de 95%. A rede publica de ensino continuou a atender a maior parcela dos estudantes dos ensinos fundamental e médio, enquanto que a maioria dos estudantes do ensino superior frequentava universidades particulares. O percentual de crianças de 4 a 5 anos que frenquenta a pré-escola atingiu 75% em 2009.

 3) Mercado de Trabalho: é importante ressaltar que a investigação se referiu à última semana de setembro de 2009, ainda sob efeitos da crise mundial. No entanto, o País continuou avançando na geração de empregos com garantias trabalhistas, o que pode ser conferido através do crescimento de empregados com carteira de trabalho assinada, ainda que em ritmo menor àquele observado de 2007 para 2008. Traçando um comparativo com 2004, chega-se à conclusão que, em cinco anos, aumentou a proporção de pessoas com carteira assinada na população ocupada, período no qual foram gerados 7,1 milhões de empregos com esta característica. O rendimento médio mensal real de trabalho manteve a tendência de crescimento observada em anos anteriores e a concentração de rendimentos de trabalho, medida pelo índice de Gini, caiu mais um pouco: 0,518 contra 0,521 e 0,547 em 2008 e 2004, respectivamente). Também foi verificado aumento nos valores do rendimento médio mensal real de todas as fontes e domiciliar.

 4)  Acesso aos serviços públicos e aos bens duráveis: destaca-se o aumento do acesso ao saneamento básico, mais de 500 mil domicílios passaram a utilizar o serviço de rede geral de esgotamento sanitário e mais de 1 milhão a ter acesso ao abastecimento de água. Cresceu, também, a proporção de domicílios e de pessoas com acesso às tecnologias da informação e das comunicações. A TV é o bem durável de maior penetração nos lares brasileiros (presente em 95% dos domicílios), superando o percentual de domicílios com geladeira. O acesso à internet ocorre em apenas 27,4% do total de domicílios.

 A fonte é o próprio IBGE. O trabalho completo está disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/comentarios2009.pdf

 Divirtam-se. Forte abs!

Destaques do PIB 2º trimestre

Os dados estão na tabela acima. Os pontos abaixo seguem a ordem das linhas da tabela:

1) A economia continuou crescendo bem entre os meses de abril e junho, mesmo considerando o pico do 1º trimestre. Dentre os componentes da demanda, destaque para o investimento (FBCF).

2) O crescimento puxado pelo investimento mostra que a há disposição de continuar a expandir a produção, pois é um gasto das empresas para ampliar a produção futura. Em comparação com o ano anterior (2ª linha), a FBCF teve incremento de 26,5%. Já despesa de consumo das famílias cresceu 6,7%, a 27ª variação positiva consecutiva nessa comparação, explicada pelo crescimento de 7,3% na massa salarial real no segundo trimestre de 2010, aliado ao aumento nominal de 17,1% do saldo de operações de crédito para as pessoas físicas.

3) Olhando para os setores da atividade econômica, destaca-se a indústria com ampliação da produção em 13,8% na comparação com o ano anterior. No trimestre (1ª linha), a agricultura foi o setor que mais cresceu.

4) No acumulado do ano (2009 x 2010 – 4ª linha), o PIB cresceu 8,9%. Foi o melhor desempenho histórico para um semestre desde o início da série (em 1996). Na mesma base de comparação, a indústria cresceu 14,2%, seguida pela agropecuária (8,6%) e pelos serviços (5,7%). Pelo lado da demanda, destaca-se a FBCF e o contínuo crescimento do consumo.

5) A taxa de investimento é crescente, mas ainda baixa; isto é, ainda será necessário manter este ritmo de expansão por mais tempo para que esta taxa possa alcançar o patamar desejável de 25% . Na análise da série histórica, a taxa de investimento é a segunda maior do semestre, pois ainda não alcançou o pico de 2008.

6) O saldo externo se deteriora: em 12 meses, as exportações (0,7%) e as importações de bens e serviços (12,7%) apresentaram crescimento; neste ano, as importações tiveram o maior crescimento da série (39,2%) e registraram expansão superior à das exportações (10,5%). O crescimento acima da média mundial e a valorização cambial explicam o comportamento da demanda externa.

São boas notícias, fico satisfeito com este crescimento. Entretanto, vale a observação que sempre faço aos meus alunos: “PIB é só o medida de produção, não é sinônimo de felicidade. Além disso, crescimento não é igual a desenvolvimento, este outro exige mais que produção, por outro lado, é muito difícil se desenvolver, sem crescer”. Forte abs!

Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – IDS 2010 (IBGE)

“O país mantém o ritmo de crescimento econômico e evolui nos principais indicadores sociais, mas persistem desigualdades sociais e regionais. Apesar de melhorias importantes em alguns indicadores ambientais, ainda há um longo caminho a percorrer para a superação da degradação de ecossistemas, da perda de biodiversidade e da melhora significativa da qualidade ambiental nos centros urbanos. Em linhas gerais, é esse o diagnóstico dado ao Brasil pelos 55 Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2010 (IDS 2010), produzidos ou reunidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dando continuidade à série iniciada em 2002 (com edições também em 2004 e 2008), a publicação tem o objetivo de, ao entrelaçar as dimensões ambiental, social, econômica e institucional, mostrar em que ponto o Brasil está e para onde sua trajetória aponta no caminho rumo ao desenvolvimento sustentável. A quarta edição do IDS revela, assim, ganhos importantes, mas indica que ainda há uma longa estrada pela frente para o Brasil atingir o ideal previsto em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Comissão Brundtland): um desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”. Fonte: IBGE

Dentre os destaques, estão:

1) A redução da taxa média anual de desocupação (PME – Pesquisa Mensal de Emprego), o aumento do rendimento médio mensal (PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e a redução da concentração na distribuição de renda, medida pelo Índice de Gini (0,531 em 2008). Ainda assim, as desigualdades na distribuição do rendimento mostradas pelo Índice de Gini são elevadas. Persistem desigualdades regionais em todos os indicadores deste tema.

2) Em 2008, 57% dos domicílios eram considerados adequados para moradia, ou seja, tinham simultaneamente abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e até dois moradores por dormitório. Isso significa que cerca de 25 milhões de domicílios ainda não atendiam a esses critérios. Por outro lado, houve um aumento significativo, uma vez que, em 1992, apenas 36,8% dos domicílios eram considerados adequados.

3) O investimento nacional em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) aumentou de R$ 12 bilhões em 2000 para R$ 32,7 bilhões em 2008 segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia. Esses valores correspondiam a 1,02% e 1,09% do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente, mostrando que a variação percentual foi pequena, apesar do incremento de valores absolutos. Destes gastos, 54% foram feitos em investimentos públicos

A publicação completa está disponível em:

http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/ids2010.pdf

Um forte abraço!