A voz do morro

No último feriado (09/07), estive mais uma vez na quadra da escola de samba Mangueira, no Rio de Janeiro. Acompanhado da minha esposa e de um grupo de amigos, curti bastante a feijoada da verde e rosa. Sem dúvida, a escola de samba faz parte da cultura popular brasileira, mais forte ainda no Rio. Lá, pude perceber a força do samba, como meio de promover a integração social e como forma de manifestação da vida cotidiana nas comunidades. Quanta emoção! Sei lá, Mangueira!

Fiquei emocionado com a apresentação da escola Salgueiro na quadra da estação primeira (isso mesmo, há disputa de carnaval, mas não há a rivalidade doentia do futebol). A emoção veio ao ver a raça dos componentes da agremiação e a felicidades das pessoas ali…. as pessoas estavam felizes, independentes dos problemas pessoais e/ou sociais que poderiam estar enfrentando. Não sou especialista no tema, mas entendo que a música, a dança e a cultura popular devem ter este objetivo: deixar as pessoas felizes! Sempre digo: entre o erudito e o popular, sou mais o popular.

Claro, que há interesses comerciais (a festa da mangueira tinha vários patrocinadores), mas prevaleceu ali a alegria das pessoas e a grandeza da instituição Mangueira, constituída na favela, por gente simples, pobre, mas talentosa, virtuosa e apaixonada. Baluartes!

 Há também a exposição do corpo feminino, mas não sou moralista. Acho bonito! O samba tem sensualidade, mas não vejo apelação (como no funk). No meio do samba, percebi um alvoroço. Briga? Não! Lá não tem isso, não mesmo! Era o Ronaldinho Gaucho. Um camarote até então vazio, lotou! Ficou cheio de mulheres, selecionadas por um segurança do jogador. Outro aspecto da cultura brasileira veio à minha mente: a valorização do talento e da riqueza rápida, em contraposição à valorização ao trabalho, presente em Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda. Claro, a riqueza rápida, não pela via do trabalho, também era o objetivo de várias das mulheres que subiram ao camarote.

Mas este não era o núcleo protagonista desta história. A atração principal era os ritmistas, as baianas, as bandeiras das agremiações, as mulatas e a multidão. O camarote do Gaucho não foi o foco! Os atores principais eram pessoas comuns. Esta inversão de papéis entre protagonistas e coadjuvantes foi promovida por ele: o samba!

“ Eu sou o samba /A voz do morro sou eu mesmo sim senhor / Quero mostrar ao mundo que tenho valor / Eu sou o rei dos terreiros / Eu sou o samba / Sou natural aqui do Rio de Janeiro / Sou eu quem leva a alegria para milhões / De corações Brasileiros / Mais um samba queremos samba / Quem está pedindo é a voz do povo do país / Viva o samba vamos cantando esta melodia / Pro Brasil feliz” (A voz do morro, de Zé Ketti).

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